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10.09.21

Uma Visão de Futuro - por Maria da Glória Ribeiro

Eu sou positiva e otimista. De facto, não tenho a certeza de ser otimista ou pessimista. O que acontece comigo é que faço um esforço por ser positiva.

Gosto de frases como “Tudo vale a pena se a alma não é pequena“ de Fernando Pessoa. 

Crio a minha força anímica que me ajuda a superar as dificuldades, formulando os pensamentos ligados ao propósito e ao resultado final. 

Tento ver tudo com visão estratégica, fazendo os possíveis por não me deixar arrastar pelo desânimo da dificuldade em ultrapassar os problemas quotidianos, que em todos os caminhos se encontram.

Falando na linguagem do imaginário português, eu seria sempre o que embarcava nas naus, aquele destemido mesmo que a tremer e sofrer de medo. Nunca teria sido o velho do restelo.

É com este espírito que vou partilhar aqui uma visão do futuro.

Não me esqueço daqueles que irão sofrer muito com as mudanças, mas, no final, teremos uma sociedade mais justa, igualitária e próspera e, sobretudo, mais humanitária.

A esperança de vida está a ultrapassar os 80 anos no mundo ocidental e parece que algoritmos nos provam que vamos viver mais um ano em média por cada ano de calendário já após 2029. 

Um dos temas mais impactantes deste novo pensamento exponencial e otimista é o futuro da alimentação. Caminhamos rapidamente para a constatação da falta de ética que pressupõe a nossa alimentação de hoje ao criarmos e aprisionarmos seres vivos para podermos sobreviver como se estivéssemos ainda nos primórdios da evolução humana. 

Se por um lado a pressão do crescimento da população mundial pressiona a extinção de florestas, transformando‐as em zonas de produção alimentar, pondo também em risco a sobrevivência de outras espécies animais e vegetais e aumenta o nível de poluição, só para citar algumas questões sobejamente debatidas, por outro lado há́ cientistas que apresentam a solução através do conceito «Drawdown». «Drawdown» é o ponto no futuro em que a poluição começará a declinar, revertendo o aquecimento global e a pressão exercida sobre o nosso planeta. 

A evolução exponencial da robotização deixará os humanos livres de trabalhos rotineiros, repetitivos e transacionais. A evolução da robotização dará no final mais alegria e paixão a qualquer atividade que cada ser humano se predisponha a fazer. Acredita‐se que com o «work balance» conseguido, haverá provavelmente espaço para uma maior individualidade e motivação pelas atividades escolhidas por cada um de nós para sermos socialmente úteis, com uma profissão cada vez mais itinerante, mas capaz de realizar cada ser humano. 

A inclusão nos sistemas sociais são provadamente uma ferramenta de evolução civilizacional. Género, geração, background, credos, etnias, entre outras potenciais diversidades, criam e criarão uma sociedade indubitavelmente mais próspera. 

Com o avanço tecnológico, tal como a nanotecnologia, a impressão 3D, a robotização, a inteligência artificial e a realidade aumentada, caminharemos para conhecimentos de novos diagnósticos, novas terapias e a criação de condições para a evolução efetiva das características do ser humano tal como hoje conhecemos. A chamada biologia digital parece apresentar‐se como uma abordagem que sintetiza as ciências com tecnologia de ponta. 

As pessoas não estão ainda a mudar os seus comportamentos tão rapidamente como a tecnologia se tem desenvolvido. Este diferencial cria necessidade de ferramentas intuitivas que ajudem à evolução dos comportamentos humanos e uma abordagem à transformação comportamental. Teremos todos muito em breve de estar preparados para termos profissões em evolução contínua, com necessidade permanente de voltarmos à Universidade e à aprendizagem. Nenhum trabalho repetitivo sobreviverá para os humanos, o que nos obrigará a todos a ter a nossa própria organização pessoal como se de uma empresa unipessoal se tratasse. Não haverá lugar para nenhum emprego para a vida e a nossa autorreinvenção será uma constante. 

A mudança tem que ser disruptiva para que possa acompanhar a cada vez mais rápida evolução tecnológica.